Relato-Brasil-Claro-Ride
Foi uma aventura inesquecível, acho que são as melhores palavras para descrever o que senti, e ainda sinto.
Tudo começou cerca de duas/três semanas antes, quando surgiu o convite pelo amigo João Marinho sobre esta possibilidade. Os grandes desafios da altura seriam conseguir acabar, pois tinha acabado a minha época e sendo assim não pude repousar metendo logo carga nessas 3 semanas para chegar bem ao Brasil.
Depois surgiu ainda outro desafio que seria compatibilizar a vida profissional com esta viagem, algo que correu muito bem, pois tive logo disponibilidade total, o meu obrigado ao meu chefe e Amigo Jose Magalhães.
Posto isto, entrei numa aventura em que iria fazer equipa com um colega que não conhecia, não sabia o seu andamento e o meu objectivo principal era acabar sem sofrer muito e sem defraudar algumas expectativas que o meu colega pudesse ter criado J.
Dois dias do inicio da prova antes lá apanhei o avião para Lisboa, onde iria conhecer o meu colega e mais dois portugueses (Pedro e Helder) que participaram na prova. Depois de resolvidos todos os afazeres necessários, lá seguimos para Salvador. Seguiram-se 9 horas de avião onde pude ficar a conhecer melhor o meu colega de “batalha”. Foi bom pois soube que o grande objectivo dele, assim como o meu era terminar e obter assim a tão desejada camisola de Finisher.

Chegada a Salvador, faltava ainda cerca de 6 horas de autocarro até a Chapada Diamantina, local da prova. Bem em Salvador a “coisa” estava quente, mas quando chegamos a Chapada ficamos surpresos pois tinha chovido no dia anterior. Apesar do tempo bom tinha nuvens. Nem nos lembramos de chuva, afinal estávamos no Brasil para ver o sol da bahia J. Ir levantar dorsais e acessórios, arranjar tenda, jantar e descansar, assim ficou resolvido o dia.
Dia 1 – etapa com cerca de 13 km, prologo para definir as posições de partida. Ultrapassamos este dia com facilidade e perspectivas boas surgiram.
Dia 2 – Etapa com 140km. Acordamos as 4 da manhã com uma tempestade, ninguém queria acreditar, mas pronto lá seguimos. Foi das paisagens mais bonitas que vi até hoje. Passamos cerca de 10 horas e meia na bicicleta com paragens para a fotografia incluídas·. O ponto alto desta prova para mim foi um single track com cerca de 9 km, adorei fazer aquilo, nunca mais acabava. Caminhos naquelas paisagens Fantástico.
Chegada ao fim e ainda faltava, lavar a bicicleta, levar a assistência pois a lama tinha feito estragos, tomar banho, jantar de seguida e descansar.
Dia 3 – Etapa com cerca de 90 Km. Acordar as 5 da manha com chuva para variar J.
Este dia foi critico tanto para mim como para o meu colega. A pior etapa mesmo, pois comecei por ter um problema nos sapatos e o pé não saia, com muita areia lá fui ao chão várias vezes. Para melhorar o meu parceiro partiu duas correntes, tendo eu perdido a ferramenta numa das minhas quedas. Para exemplo tínhamos tempo limite de 8 horas para a prova, e ao fim de 2h30m tinha no conta km 12,5km J. A partir dai começamos a dar bem e conseguimos acabar, sendo que ficamos retidos juntamente com cerca de mais 25 equipas numa ribeira que devido a chuva não podíamos passar.
Um local indicou-nos um caminho ao fim de uma hora a chuva parados, em que tínhamos de ir desmontados e onde fiquei muito arranhado Jnas pernas.
Quando cheguei ao fim foi uma alegria imensa, e disse depois disto eu vou acabar esta cena sem dificuldades J.

Dia 4 – Etapa com cerca de 95Km. Acordar as 5 e acreditem, estava a chover hehehe. Mais um dia prontos para a lama. Nesta etapa parti um raio mas de resto nenhum problema mecânico. Esta etapa deu-se que com a lama estragou muito e mesmo muito as bicicletas. Lá iam no final da etapa para a Shimano (tenda de assistência). Esta etapa teve paisagens também muito bonitas e também um single inicial brutal mesmo.

Dia 5 – Etapa com cerca de 135 Km. Nesta etapa não apanhei chuva mas apanhei lama, pois no dia anterior choveu muito mesmo. Após um single inicial esta etapa foi para mim secante pois era depois de descer 20 km seguidos uma etapa rolante por estradões e mais estradões. A partir dos 70 km começou a vir a dificuldade com a subida final, tendo a partir dos 100km mais rolante até ao fim. Não gostei mesmo.
Dia 6 – Etapa com 100Km. Acordar as 5 da matina com mais uma tempestade e rolar 100km (rolar mesmo) sobre lama e rios. Não queria acreditar mas felizmente lá conseguimos chegar e com um sorriso nos lábios de extrema felicidade.

Ao meu companheiro de equipa Tiago Branco o meu muito obrigado por me ajudar a completar esta Jornada.

Quero dar uma palavra de agradecimento a todos os Portugueses. Foram grandes. Ao João e ao Nuno do Team Acreditar (os gajos de Coimbra hehehe) pela companhia durante muitos e muitos Km, fizemos 4 etapas quase sempre juntos.

Quero ressalvar o espírito Tuga invadiu a chapada

Celina Carpinteiro
Claudia Duarte (a menina da press :) o meu muito obrigado pelas fotos
Valério Ferreira
João Marinho
Tiago Branco
Nuno Duarte
João Elvas
Helder Carvalho
Pedro Araújo
Sandra Araújo
Jorge BTT trilhos
Ivonne Kraft (esta senhora do BTT já era Portuguesa no Fim J)
O meu Obrigado a todos os que me apoiaram. quero agradecer também a minha namorada (Gisela Semedo) e a minha família por todo o apoio que me deram.
Agora estou em descanso mas a recarregar baterias para entrar forte na próxima época.!!!!